quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cidadão de Papelão e nós.

http://fiztv.uol.com.br/f/home/index/16014

Por favor, peço que só leiam DEPOIS de assistir o vídeo acima.

Por Dimitry Fernandes

 Esse vídeo é um dos concorrentes de um concurso para ser o clip oficial do Teatro Mágico – Cidadão de Papelão. Existem vários, mas esse especialmente mexeu comigo.

O senhor que é protagonista nesse vídeo se assemelha tantos outros “cidadãos” de rua que vivem cruzando nosso caminho, carregando seus carrinhos que lhe são ao mesmo tempo sua cruz e seu sustento.

Quantos desses vemos passar todos os dias? As vezes estão “dando um tempo” em um beco qualquer, “pensando” na vida, em outros estão “trabalhando” transformando em sustento o que todos julgam lixo para evitar cair nas garras da criminalidade.

Eles pensam? Eles têm sentimentos? Tiveram uma mãe? Será que já se apaixonaram?

Com certeza, são seres humanos como nós. Porem todos os vêem como réprobos, dejetos humanos, resto da maquinaria social.

Esses tantos homens que vemos todos os dias pelas ruas, ejetados do meio social pelo simples motivo de não se enquadrarem nos processos consumistas, mau tiveram acesso ao alfabeto, da vida só ouviram gritos de desespero. Se nós nos revoltamos por motivos tão fúteis, será que eles não tem motivos suficientes para se rebelar contra aqueles que expulsaram eles do meio social “normal”?

Mesmo assim, não deixam de ser humanos. E como são tratados? Se é que podemos chamar isso de “tratar”, acredito que o termo correto é como são “mexidos”, “manipulados”, “alterados”. Como um saco de lixo, colocamos onde menos nos incomoda.

“Mas eu não faço isso” você, caro leitor, deve estar pensando. Que bom! Isso já é um bom sinal. Mas quantas vezes apenas ignoramos, olhamos para o outro lado, simplesmente fica invisível para não incomodar a nossa paz de consciência. E quando mesmo assim fazem questão de ser notados, sem jeito nós jogamos algumas moedas de R$ 0,05 centavos que estavam fazendo peso depois do troco do ônibus. Afinal, alguns centavos é um preço muito barato para uma “paz de consciência”.

Será que estamos realmente nos importando com essas pessoas? Será que eles querem somente alguns centavos para comprar um café? “Não só de pão vive o homem”. Tudo bem, não vamos nos exigir demais. Mas será que não podemos fazer nada a mais? Esta postura que temos já basta?

Para um dia conquistarmos um amor como de Bezerra de Meneses, que sujava suas calças brancas de medico que era, para conversar e dar as moedas a esses “dejetos sociais” que para ele naquele momento era o ser mais importante do mundo. Temos que começar pequeno e agora. Talvez, mudar nossa postura. Vamos tentar colocar nas moedinhas um significa maior. Vamos doar com amor, junto com algumas palavras como “vai com Deus” ou “calma, isso também passa” até ainda “tenha fé”, tais palavras vindas do coração tem um significado enorme, talvez devolva aquele ser a esperança na vida, a esperança nos seres humanos. Talvez seja a semente de felicidades de um futuro próximo.

Como você se sentiu durante o clip? Mau como eu? Talvez seja a consciência querendo dizer algo...

Para ler e meditar.

A Beneficência 

(Evangelho segundo o Espiritismo – Capitulo 13, item 11)

A beneficência, meus amigos, dar-vos-á nesse mundo os mais puros e suaves deleites, as alegrias do coração, que nem o remorso, nem a indiferença perturbam. Oh! pudésseis compreender tudo o que de grande e de agradável encerra a generosidade das almas belas, sentimento que faz olhe a criatura as outras como olha a si mesma, e se dispa, jubilosa, para vestir o seu irmão! Pudésseis, meus amigos, ter por única ocupação tornar felizes os outros! Quais as festas mundanas que podereis comparar às que celebrais quando, como representantes da Divindade, levais a alegria a essas famílias que da vida apenas conhecem as vicissitudes e as amarguras, quando vedes nelas os semblantes macerados refulgirem subitamente de esperança, porque, faltos de pão, os desgraçados ouviam seus filhinhos, ignorantes de que viver é sofrer, gritando repetidamente, a chorar, estas palavras, que, como agudo punhal, se lhes enterravam nos corações maternos: "Estou com fome!..." Oh! compreendei quão deliciosas são as impressões que recebe aquele que vê renascer a alegria onde, um momento antes, só havia desespero! Compreendei as obrigações que tendes para com os vossos irmãos! Ide, ide ao encontro do infortúnio; ide em socorro, sobretudo, das misérias ocultas, por serem as mais dolorosas! Ide, meus bem-amados, e tende em mente estas palavras do Salvador: "Quando vestirdes a um destes pequeninos, lembrai-vos de que é a mim que o fazeis!"

Caridade! sublime palavra que sintetiza todas as virtudes, és tu que hás de conduzir os povos à felicidade. Praticando-te, criarão eles para si infinitos gozos no futuro e, enquanto se acharem exilados na Terra, tu lhes serás a consolação, o prelibar das alegrias de que fruirão mais tarde, quando se encontrarem reunidos no seio do Deus de amor. Foste tu, virtude divina, que me proporcionaste os únicos momentos de satisfação de que gozei na Terra. Que os meus irmãos encarnados creiam na palavra do amigo que lhes fala, dizendo-lhes: E na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida. Oh! quando estiverdes a ponto de acusar a Deus, lançai um olhar para baixo de vós; vede que de misérias a aliviar, que de pobres crianças sem família, que de velhos sem qualquer mão amiga que os ampare e lhes feche os olhos quando a morte os reclame! Quanto bem a fazer! Oh! não vos queixeis; ao contrário, agradecei a Deus e prodigalizai a mancheias a vossa simpatia, o vosso amor, o vosso dinheiro por todos os que, deserdados dos bens desse mundo, enlanguescem na dor e no insulamento! Colhereis nesse mundo bem doces alegrias e, mais tarde... só Deus o sabe!... Adolfo, bispo de Argel. (Bordéus, 1861.)

Por Dimitry Fernandes

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